20 junho 2018

A vez da CASSI–a grave crise

Infelizmente, chegou a vez da CASSI.

Resultado de imagem para cassiAqui, uma mensagem do presidente, Sr. Luís Aniceto Silva Cavicchioli, conclamando à união de todos: Cassi, Patrocinador e associados para enfrentar a situação

Aqui, uma relação de perguntas e respostas sobre a situação atual.

Acredito que seja uma boa hora para essa autogestão, a maior da modalidade do Brasil, tentar um real engajamento dos associados para reverter essa situação que não é benéfica a ninguém.

Também é hora para que a autogestão se reposicione em relação aos processos assistenciais, baixando custos administrativos e agindo sobre as despesas assistenciais.

Se fosse uma Unimed, estaria entre as 10 maiores do Brasil. Mas tem presença (dispersão) da Confederação das Unimed.

É de se lembrar que a abertura da milésima agência do Banco do Brasil, me meados dos anos 70, obrigou a uma reforma na numeração do então chamado CGC – o cadastro geral dos contribuintes, que previa somente (perdão pela ironia) 999 filiais para cada empresa.

Como o plano de saúde é para todos os funcionários, a CASSI tinha rede dimensionada para atendimento onde houvesse (via de regra) uma agência sua.

Esperemos que a crise seja superada, e que lições sejam aprendidas.

06 junho 2018

O papel do software de gestão nas empresas de saúde

mafalda_informacao

É de entendimento comum que o software de gestão nas empresas de saúde deva prover informações. Embasamento à decisões, avaliação de cenários, etc., normalmente é o que declaram executivos que buscam soluções de software.

Adicionalmente, entendem os atores que, para gerar informações, o software deva atender a um conjunto específico de regras de negócios, impedindo a transgressão de regras básicas nos processos. Este entendimento, aliado à ideia de que as regras de negócio são o cerne do negócio, proliferam as novidades na matéria, sempre originadas por quem quer mais controle e perseguidas pelos desenvolvedores de software como o Zero Kelvin (a temperatura absoluta, pragmaticamente inatingível).

Pois bem, o software realmente se destaca como o grande gerador de informações, sejam operacionais, sejam estratégicas, para que o tomador de decisões se oriente. Também é o esteio das regras de negócio que, bem aplicadas, amparam fortemente os processos da empresa.

Ocorre que o software deve ser um atalho, nunca um desvio.

Recorro ao Houaiss para esclarecer:

Atalho: caminho secundário, derivado de um principal, pelo qual se encurtam distâncias e/ou se chega mais rapidamente ao lugar de destino.

Desvio: segmento sinuoso (de estrada ou caminho, de rio etc.); curva, sinuosidade, volta;
afastamento de um padrão de conduta considerado aceitável; erro, falha.

O software deve ser um meio de encurtar caminhos, ou melhor, processos. Isso se dá pela automação, que é a incorporação de controles e passos pelo próprio sistema. Assim, um dos principais ganhos proporcionados pelo software é a economia de tempo, expressa empresarialmente em ganhos de produtividade e escala.

Quando a utilização do software enfrenta desvios, podemos entender que alguns processos operacionais ou não são atendidos pelo produto, ou os processos não está adequados. A avaliação é simples: estou gastando muito tempo com algum processo? Isso é sintoma de algo não está certo.

Algumas empresas dependem ainda de assinatura no papel para que processos tenham sequência, mesmo que os passos anteriores e posteriores estejam sendo realizados em sistema. Isso é um desvio. Há, por óbvio, diversas explicações plausíveis e aceitáveis para o fato. A questão é: qual o atraso que geram, e quais os custos desses atrasos?

Considerando-se que a “autorização” expressa pela assinatura seja indispensável, ela poderia ser realizada por uma funcionalidade de software? Claro que sim. Todos os que efetivam movimentações bancárias sabem que sim, com a adoção de alguns cuidados básicos.

Um dos desvios mais frequentes é o da conferência.

Uma regra de negócio é acionada para que alguém avalie uma determinada situação identificada pelo software. Essa é uma medida que deveria envolver processos de grande impacto financeiro, e seus resultados devem compensar os custos desses desvios. Em muitos casos, tal qual numa obra em uma estrada, o desvio deveria ser transitório, até que o caminho seja devidamente ajustado. Infelizmente, eles acabam sendo perenizados, e também seus custos.

Assim, uma das regras de ouro na utilização do software é o exercício da dúvida sistemática cartesiana. A avaliação permanente e sistemática dos atalhos e desvios que a empresa adota, bem como seus vantagens e desvantagens.

04 junho 2018

ABET–Epílogo

A ANS, através da Resolução Operacional n° 2.301, de 1° de junho de 2018, determinou a portabilidade especial para os beneficiários da ABET.

Dessa forma, os beneficiários poderão aderir a um outro plano de saúde de outra operadora sem cumprir os casos de carência que eventualmente já tenham cumprido.

A medida é um benéfica aos beneficiários, embora de alcance limitado. As adesões a um novo plano submetem-se às regras de preço de mercado, e não condicionam a aceitação, na nova operadora, à continuidade da prestação de assistência médica àqueles que estejam em tratamento na rede da ABET.

Mais uma autogestão que enfrenta um ocaso desnecessariamente infeliz.

30 maio 2018

Ainda sobre a ABET: e a Medida Provisória 2177?

question-mark-1927457_640A Medida Provisória 2177-44, de 24/08/2001, em seu artigo 8°, §3°, prevê os casos de encerramento voluntário de atividades por operadoras de planos de saúde, condicionando-a aos seguintes requisitos, além de outros eventualmente definidos pela ANS:

a) comprovação da transferência da carteira sem prejuízo para o consumidor, ou a inexistência de beneficiários sob sua responsabilidade;

b) garantia da continuidade da prestação de serviços dos beneficiários internados ou em tratamento;

c) comprovação da quitação de suas obrigações com os prestadores de serviço no âmbito da operação de planos privados de assistência à saúde;

d) informação prévia à ANS, aos beneficiários e aos prestadores de serviço contratados, credenciados ou referenciados, na forma e nos prazos a serem definidos pela ANS.

Fonte: www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2177-44.htm#art1, consultada em 30/05/2018.

Em sua comunicação oficial e em sua Perguntas e Respostas, a ABET deixa claro que:

- Não houve interessados em adquirir a carteira; portanto, não houve transferência de carteira.

image

- A ANS ainda não determinou portabilidade especial da carteira, embora tenha sido solicitada pela Abet. Portanto, beneficiários não têm garantia de contratação de plano de mercado sem cumprir carência.

image

- Ao beneficiário cabe a busca por um novo plano de saúde, para cobertura a partir de 01/07/2018.

image

- Não obstante, a ABET tratou de garantir seus interesses financeiros:

image

- Com relação aos pacientes internados e em tratamento, a ABET não oferece garantias, como determina a Medida Provisória 2177, e debita essa responsabilidade a um posicionamento da ANS:

image

Tudo indica que os beneficiários (2.332 em 18/05/2018, segunda a própria ABET) terão muitos problemas com essa situação. Houve uma decisão por parte da operadora, de modo unilateral e em dissonância com dispositivos legais, e decorridos 12 dias da comunicação oficial aos beneficiários, a ANS ainda não se manifestou sobre o assunto.

Na prática, a decretação da portabilidade especial não muda muito a situação do beneficiário, pois continua sendo dele a responsabilidade pela procura e negociação de um novo plano de saúde. Mas a demora no posicionamento da ANS, sob a ótica do beneficiário, é preocupante

17 maio 2018

Mais uma autogestão encerra atividades–a ABET

mikado-1013877_1920A ABET – Associação Brasileira dos Empregados em Telecomunicações comunicou aos seus beneficiários, em 15/05/2018, que vai encerrar as atividades da operadora de planos de saúde, embora mantenha as demais atividades.

A autogestão, quando patrocinada, depende da visão do patrocinador sobre seus objetivos. Os mais perseguidos são a diminuição do absenteísmo, do presenteísmo, aumento da produtividades e, óbvio, diminuição das despesas com assistência médica de seus colaboradores.

Dos listados, o custo total da assistência médica é uma rubrica que salta aos olhos, por mensuração direta. E, frente aos demais, quando díspar, tem um peso predominante, quando não exclusivo na avaliação da manutenção do benefício.

É de se lembrar o forte questionamento enfrentado pelos então pré-candidatos à presidência dos Estados Unidos, Obama e Hillary Clinton,  sobre os descontrolados custos de assistência médica, tendo como centro as montadoras GM e Ford.

Outro fator relevante para as autogestões é o engajamento do beneficiário na utilização racional do plano de saúde. Embora teoricamente seja maior em autogestões, na realidade o engajamento não é aquele que se espera. Isso porque o beneficiário, ao contribuir para o plano, se coloca na condição de consumidor, exigindo o que entende serem seus direitos justamente pela contrapartida (o pagamento que realiza).

Não é por acaso que algumas autogestões encerraram suas atividades. Os números do setor não são favoráveis, e o tamanho de algumas implica em maiores riscos financeiros, pois enfrenta pequena diluição (teoria do mutualismo).

No caso da ABET, o beneficiário está totalmente desamparado: não houve interessados (segundo a própria empresa) em adquirir a carteira, e não há determinação de portabilidade especial por parte da ANS. Será mais um caso de pesca em pesque-pague: a vantagem é toda do vendedor de planos.

Os números da ABET permitem inferir suas dificuldades.

Resultado Financeiro:

image

Sinistralidade:

image

Despesa Administrativa

image

Os dados têm origem na ANS.