14 julho 2017

Quem é responsável pela sua saúde?

diabetes-528678_640Segundo o Dr. Dráuzio Varella,

“…cada um tem de ser responsável pela própria saúde”.

Ainda não é realidade, claro. As pessoas têm dificuldade em iniciar e manter atividades físicas, e têm dificuldades em comer de forma adequada. Prova disso é a quantidade de pessoas com sobrepeso e obesidade mórbida existentes no mundo.

Ainda há operadoras que exigem prescrição de médico para garantir acesso às consultas de nutrição.

Ou seja, a operadora tem mais despesas (a da consulta) para autorizar a consulta do beneficiário no nutricionista.

Essa é uma medida contraditória. Complicações por causa de sobrepeso e obesidade são muito divulgadas pela mídia e pelas próprias operadoras em seus programas preventivos. Prega-se o aumento da qualidade de vida do indivíduo que (re)aprende a se alimentar. Mas cria-se obstáculos quando ele decide agir?

Registre-se que os gastos causados pelos males do peso são incomparavelmente maiores do que os de consultas de nutrição.

Outro exemplo de contradição é o acesso a exames de sangue. O indivíduo que sabe que precisa manter controlados seus níveis de triglicérides e colesterol, por exemplo, não tem acesso, via operadoras de planos de saúde, a laboratórios para realizar seus exames. Por outro lado, o diabético tem um aparelho que usa em casa, à sua conveniência, para saber os níveis de glicose em seu sangue. Qual é a diferença?

O fato é que o arcabouço normativo-legal e o paradigma da assistência Médica desmentem o discurso de que cada um é responsável pela sua saúde. Ainda há a necessidade de tutela médica mesmo para os problemas mais comuns, segundo o paradigma vigente.

O cidadão e as instituições ainda precisam se emancipar para que cada um seja, de fato, responsável pela própria saúde.

11 julho 2017

Os arco-íris da saúde suplementar

rainbow-2278774_640A saúde suplementar tem, ao menos retoricamente, várias medidas para enfrentar as constantes altas das despesas médicas, visando diminuir sua sinistralidade.

Mas será que essas medidas são realmente adotadas?

O mercado é de grandes números. Na adoção de medidas para diminuir despesas é preciso olhar a floresta, não somente a árvore. Assim, a atenção a um grupo pequeno de indivíduos pode gerar algum ganho, mas que dificilmente se refletirá de forma decisiva nos números da operadora. É certo que vários pequenos grupos podem fazer isso. Mas não é a prática que se verifica.

Controle de sinistralidade

Por controle de sinistralidade entenda-se diminuição. Mas são poucas as operadoras de têm a sinistralidade como um de seus KPI. Raras são as que mantém internamente esse número divulgado. Aos finais de períodos de apuração é que buscam alguma razão e, superficialmente, projetam soluções nunca ou raramente implementadas.

Destaque-se que o KPI é composto por vários sub-indicadores, cuja evolução permitiria à empresa adotar linhas de ação emergenciais ou, no mínimo, compreensão do problema. Não é o que ocorre.

Prevenção de doenças e promoção da saúde

Apresentada como a salvação da saúde suplementar, a prevenção de doenças apresenta implementações de algum sucesso em algumas operadoras e abordagens absolutamente dispensáveis em outras. Há modas no setor, como atenção a idosos e programas antitabagismo. Também há abordagens de potencial excepcional, como a atenção às cardiopatias.

O problema aqui é que a ação efetiva depende da adesão do beneficiários, que nem sempre enfrenta seus males. A adesão é relativa, principalmente se deslocar o beneficiário de sua região de domicílio (consultas e exames em locais definidos pela operadora). Outra dificuldade é justamente a despesa gerada pelos procedimentos de caráter de controle, consultas e exames. Significam despesas e, embora possam ser menores que as despesas de um agravamento do estado de saúde, tendem a ser avaliados, no momento de sua realização, apenas como transação contábil; débito, portanto.

A promoção da saúde é medida intangível demais na maioria dos casos, exceção às autogestões, que têm seu público (ao menos os titulares) concentrados em um determinado ponto. Ademais,a promoção depende de incentivos muitas vezes não disponíveis para gerar a adesão. A distância mental da doença leva os indivíduos a não priorizá-la totalmente. E os programas de promoção normalmente são inócuos (da forma como são conduzidos de maneira geral).

A ANS editou a Resolução Normativa 265 em 19/08/2011 estabelecendo critérios para bonificação aos beneficiários, mas limitou-a à adesão e participação no programa, proibindo-a para atingimento de metas pessoais (emagrecimento, por exemplo). O que tirou toda a atratividade da medida.

Informações Gerenciais

O tão aclamado BI tem sido uma das tentativas de melhorar o resultado das empresas de saúde. O sucesso é apenas relativo, seja porque as bases de dados em que se baseiam não são confiáveis, seja porque não há exploração de informações latentes que permitam às empresas identificar pontos de melhoria.

Em grande parte das empresas o BI se mostra como um gerador de relatórios mais flexível e mais completo que os relatórios dos sistemas de gestão. E, sem gestão por indicadores, torna-se difícil adotá-lo como referência para ações ou mesmo para prospecção de melhorias.

Tecnologias emergentes

Muito se tem falado sobre BIG DATA e IOT (internet das coisas). Também é estrela nos eventos de saúde suplementar a “análise preditiva”. Qualquer uma delas é uma evolução para as tecnologias referidas anteriormente. Nenhuma delas tem chance de sucesso enquanto os dados não tiverem governança, a empresa não tiver capacidade de aprender com seus próprios dados e se a essa empresa não conseguir concretizar projetos de melhoria.

Enfim, tudo passa pela qualidade do dado, capacidade de gerar informação, e capacidade de transformação transformação em ganhos.

04 julho 2017

A matriz de Eisenhower e a Saúde Suplementar

hurry-2119711_640A priorização das ações é uma das funções mais importantes do gestor. É um dos resultados da função planejamento. Saber o que deve ser feito, quando, e em que ordem parece ser de lógica impecável.

No gráfico chamado de Eisenhower, as atividades são divididas em quatro quadrantes, de acordo com conjugação entre importância e urgência.

Eisenhower

Em empresas tradicionais, o esforço é fazer com que as atividades sejam realizadas no quadrante verde, mas é óbvio que há situações em que a realidade não permite. Surgem atividades em todos os quadrantes, restando priorizá-las para evitar problemas pela não realização ou realização com atraso.

A não realização de atividades do quadrante verde, por exemplo, faz com ela tendam a migrar para o quadrante vermelho, com a aproximação de seu prazo limite. Portanto, enfrentar somente questões urgentes e importantes fará com que todas as demais, eventualmente, estejam no mesmo quadrante ou muito próximas dele.

Em empresas de saúde, notadamente hospitais e operadoras de planos de saúde, desde há muito as atividades estão concentradas no quadrante vermelho (urgente e importante). São aquelas atividades que urgem ser realizadas para que haja ganhos de produtividade, ganhos financeiros, economia de recursos, etc.

Algumas dessas atividades têm forte dependência de agentes externos, como a metodologia de pagamento aos prestadores, por exemplo. Dessa forma, a interdependência impede evoluções rápidas. Mas as ações que dependem exclusivamente de ações internas, aquelas que estão ao alcance dos próprios esforços da organização podem ser enfrentadas imediatamente. E, recomenda o bom senso, pequenas evoluções são muito melhores que evolução nenhuma.

A incorporação de mentalidade de melhoria contínua, reconhecendo os limites de atuação bem que poderiam favorecer a saúde suplementar. Situar suas atividades no Diagrama de Eisenhower já seria um bom começo.

21 junho 2017

A terceira opção–Policlínicas

medical-563427_640Enquanto a saúde suplementar caminha a passos largos na mesma direção em foi o SUS, o mercado cria um nicho para ocupar o vácuo: as policlínicas.

Sem vender cobertura, vende serviços, justamente aqueles pelos quais procura a população desassistida. Por desassistida deve-se entender tanto aqueles que não possuem plano de saúde (três quartos do total) como aqueles que, possuindo, enfrentam longos prazos de espera para o atendimento.

Policlínicas normalmente têm atendimento imediato. Cobram pela execução de consultas e procedimentos investigatórios. Estão crescendo justamente por serem alternativa barata aos planos de saúde. Com a crise financeira, parece não importar que seu alcance seja limitado. Desde que o paciente tenha uma opção válida.

É digno de registro que os planos individuais e familiares estão em oferta cada vez menor, e os planos para idosos são proibitivos, justamente aumentando o apelo das clínicas.

Enquanto o SUS enfrenta um quadro deficitário crônico, as operadoras de planos de saúde debatem sua sobrevivência, as policlínicas crescem, a ANS parece disposta a rever as regras da saúde suplementar. O setor, engessado, aguarda.

08 junho 2017

E a Unimed Rio?

Neon blue question mark on black background : Ilustração de stockEm acordo firmado em 24/03/2017, a Unimed Rio e outros representantes do sistema Unimed assumiram compromissos visando superação / mitigação dos graves problemas enfrentados. Decorridos mais de 60 dias, a ANS ainda não apresentou o balanço das ações iniciais.

É de lembrar a agonia sofrida pela Unimed Paulistana, cuja situação se manteve em suspenso por muitos meses, até o lamentável desfecho.

Tal blindagem é prejudicial a todos. Em especial aos beneficiários. Também tal como no caso da Unimed Paulistana, os beneficiários são açodados por outras operadoras (em alguns casos outras Unimed) para transferência de operadora, mas sempre com alguma perda (seja pelo valor do plano, seja pela rede ofertada).

O site da Unimed Rio nada fala sobre a crise, assim como não mais a mencionou o site da ANS. A falta de informações contrasta com a gravidade do problema, já que se trata de uma das maiores operadoras do país, de uma das capitais mais importantes.

O acordo firmado entre as partes reavaliação dos termos do acordo ao final de 365 dias. Tempo suficiente para danos irreparáveis.